segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

ESPERANDO HORÁCIO

Já haviam se passado três horas. Cento e setenta e oito minutos a mais que o pevisto, capaz de inquietar até mesmo o mais paciente dos monges budistas. Quer sejam tibetanos ou não.
Um quarto de dia e nada. Ali sancionava a falência de todo sistema.
Do maço amassado puxou o remoto cigarro e riscando um palito de fósforo, pensou: "Ai desses filho da puta se vier alguém me encher o saco." E ninguém foi.
Seus olhos fitavam o chão em um trago estreiante. Tossiu. Mas o fez indiscreto. Tamanha fora sua rouquidão que causou desconforto em todos presentes na sala."Que se foda." Continuou por mais quase oitenta segundos em tosses, pigarros e tragos até que o chamassem pelo nome. Antes mesmo de se levantar da molesta poltrona de espera, Horácio Menezes de Lima arremessou o cigarro ao chão. Com o dedo médio apoiado ao polegar, formando o esboço de uma catapulta. "Como se não me bastasse a demora, ainda não me deixaram terminar meu Marlboro."
Seus passos obesos romperam em eco o silêncio, perto de mórbido, daquela saleta. Caminhou por mais vinte e quatro segundos e meio até o guichê. Da estreita janela ensebada, uma voz muito aguda o recebeu. Somaram mais seicentos e trinta segundos até perceberem que, devido a senilidade do rabugento paciente, este havia esquecido todos seus documentos em domicílio, sendo assim incapaz de realizar a consulta.

Um comentário:

totoin disse...

huahahauhuahahua mt foda a "E"stória mano,tu é o kra hauhauaahuhuahua