sábado, 25 de novembro de 2006

ARTE DE RUA E MOEDA CORRENTE





Não vou ficar teorizando nada pois acho não acho que venha ao caso. Creio que temos, assim como a arte, de ser mais objetivos. Qual é a grande questão da arte de rua? Seria ela o ataque direto à publicidade, a negação à autoria, ou apenas uma forma de expressão artística/ideológica? Tudo bem, mas seria justo trabalharmos para a sociedade, em outro ofício ( como já somos obrigados a fazer para nos sustentar ) para também sustentarmos nosso direito expressivo ao espaço público ou até mesmo, para ofertar á cidade que nada nos oferta além de gigantes painéis publicitários, a nossa afirmação poética? É uma questão delicada mas prefiro ser realista, ao afirmar que é muito bonito na teoria, à negação ao signo monetário, mas na prática precisamos dele para a constante produção. Se esse trabalho não nos possibilita retorno financeiro teremos de trabalhar do mesmo jeito em outro ofício para poder sustentar tal atividade, ou seja: mesmo que a arte de rua não gere dinheiro, é preciso dinheiro pra se fazê-la! Isso é fato! Não creio que seja uma traição à seus princípios se for uma atividade auto-suficiente. Mas também não dou suporte à uma institucionalização do movimento, ou ter como objetivo principal da ação o lucro em questão..... Afirmo minha preferência pela arte que contenha seu caráter engajador não tão explícito. Só o próprio fato de encarar a cidade como nosso suporte, apropriando-nos do que na teoria seria de bem comum à população, uma vez que esta se diz pública, e segue o fator de que nos é proibido por lei tais interferências, concretiza esse caráter "subversivo" representando sim uma forma ideológica de postura. Sou a favor de uma forma mais poética e menos "mastigada". Acredito também no Non Sense. Porém, o cunho político não deve se afastar destes tipos de manifestações. Nunca! Quanto a isso, tem espaço urbano bastante para ambos e imagino eu estar aberto à todos que se sentirem a vontade em fazê-lo. Creio eu também que o ponto que devemos visar é até onde o dinheiro pode matar a poesia.... O dinheiro mata mas numa sociedade capitalista ele tambêm nos mantêm vivos. Triste porém real. É a selva de pedra. O dinheiro mata alguns, para outros poderem viver....Claro que não concordo com tamanha covardia, mas é uma arma que tem que, como toda arma, ser utilizada de forma racional e precisa. Transformar verba em poesia difere de transformar poesia em verba. Qual é o problema de um negócio ( sem fins lucrativos ) ser auto-suficiente? Sem fins lucrativos que quis dizer é a realização de uma trefa sem ser voltada ao lucro mas que possa, e eu disse possa vir a ser auto-suficiente e que toda renda gerada com tal empreendimento pudesse ser convertida em progressivas ações. Não sei se seria uma forma viável e acho que isso depende da intenção e interesse pessoal de cada manifestante mas não deixa de ser uma alternativa a se pensar. Uma vez que trata-se de sua exibição ser extremamente efêmera em alguns casos, o gasto com a produção se faz pesar ainda mais. Não pelo fato de que o trabalho não tenha cumprido seu papel pois mesmo que dure 30 segundos já houve uma quebra na rotina ao arrancá-lo; mas pelo fato de que cada vez mais será necessário o aumento da produção para suprir as necessidades da obra em intervenção com o espaço público e o ambiente urbano. Porém quem trabalha de graça é burro! Partamos do princípio de que tudo na vida tem seu preço, mesmo antes do signo monetário ser inserido na sociedade moderna. É claro que o artista espera algum tipo de retorno ao realizar tais atividades. Mesmo que este retorno seja apenas o cumprimento de teu objetivo como arte ou também o próprio delírio poético vivenciado no instante criativo. É importante frisar que enquanto autor de uma obra (anônimo ou não) cabe apenas a nós agregar valores à nosso produto. Seja monetário ou não. O que discordo efetivamente é o fato de ofertarmos o direito de avaliar nosso próprio trabalho às instituições de monopólio cultural e de famigerados críticos que insistem em moldar a elite, manipulando a verdade poética, a ponto de camuflar sua essência. Ao se tratar de arte de rua a discussão se agrava. SUBVERSÃO OU PROFISSÃO? Cabe a cada "reprodutor" uma escolha coerente com tuas ideologias e direcioná-la para que atenda tais espectativas. Não acho que exista uma verdade capaz de sustentar os pilares de tantas ideologias que ainda que se assemelhem em várias questões, se diferem em tantas outras. Acho que a importância maior é que continuemos com a produção e reprodução de tais interferências no cenário monótono das grandes cidades que habitamos... Seja por ideologia política/social, seja por ode ao vandalismo, seja por puro exibicionismo ou até mesmo por terrorismo poético. O que tá em jogo é nosso direito de expressão!

Um comentário:

Paulo disse...

Salve guerreiro gostei pá caraio é isso q nós precisamos,d gente q faz d coração.